Artigos -15/07/2010

Vocação e Missão do Comunicador Cristão: Responder ao chamado através dos MCS

Comunicação Social

Escrito por Alexandre Barreto

RESPONDER AO CHAMADO ATRAVÉS DOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO SOCIAL

Vamos, agora, tratar de um assunto que extrapola o âmbito da comunicação interna da Igreja: os meios de comunicação sociais ou a comunicação à distância. É óbvio que estamos nos referindo aos meios de longo alcance e de tecnologias mais sofisticadas. Eles são muito importantes no mundo de hoje e devemos usá-los a serviço da comunicação cristã, solidária, democrática, comunitária e dialógica. Podemos dizer que a comunicação através dos MCS COMPLEMENTA a comunicação interpessoal e inter-grupal (inter-pastoral, inter-comunitária), no contexto do trabalho da Pastoral da comunicação. A comunicação interpessoal, inter-grupal, inter-pastoral é prioridade da Pastoral da Comunicação. Em seguida, vem a comunicação à distância, a comunicação midiática, para completar o nosso trabalho pastoral. Os instrumentos e as tecnologias midiáticas cumprem a sua função quando reforçam essa primeira modalidade, ou seja, a comunicação que se estabelece entre as pessoas, entre os grupos sociais, entre as pastorais.

O agente da Pastoral da Comunicação zela pela função social dos meios de comunicação, utilizando o rádio, a televisão, o jornal impresso, a revista, a internet e outros, a serviço da vida humana e do bem-comum. Para cumprir bem essa missão:

1. Capacita-se O agente da Pascom descobre o seu dom e o coloca a serviço da comunicação. Esta é a sua missão na Igreja. É um chamado que emana do Batismo. Para responder bem esse chamado da graça batismal e desempenhar, com zelo pastoral, esta sua missão, procura se CAPACITAR. A primeira etapa de capacitação se refere aos princípios humanos, cristãos, éticos. Diríamos que é a etapa em que se sensibiliza a pessoa que vai operar os instrumentos, as tecnologias midiáticas, para que possa fazê-lo com responsabilidade, com respeito aos outros e com ética. A qualidade humana do comunicador é mais importante do que a qualidade técnica ou do que a quantidade de equipamentos disponíveis. Depois, vem a outra e também indispensável etapa: a capacitação TÉCNICA, profissional, do agente da Pascom. De acordo com a habilidade de cada um, a equipe paroquial da comunicação busca capacitar seus integrantes para que operem produzam e veiculem suas edições com qualidade técnica. Daí a importância das oficinas e dos cursos de rádio, de comunicação impressa, de fotografia, de informática e outras.

2. Interage A nossa prática cristã de comunicação pressupõe interatividade. Interagir é garantir espaço ao outro; é levá-lo em consideração como sujeito; como participante ativo do processo de comunicação. Ao invés de excluir, como muitas vezes fazem os grandes meios, INCLUÍMOS. Não basta possuir meios de comunicação na paróquia ou diocese; faz-se necessário definir como vamos operá-los a serviço das pessoas, levando em consideração a voz, a palavra, a opinião das famílias e a expressão cultural dos grupos que formam a comunidade. Nos programas de rádio, nos jornais e boletins impressos, na internet e noutros meios, somos chamados a INTERAGIR com as pessoas que escutam, lêem ou vêem nossas produções. As entrevistas, enquetes, comentários, histórias de vida, artigos, todos esses formatos podem ser usados para inserir as pessoas da comunidade no trabalho realizado pela Pascom, através dos meios. Isto exige esforço, preparação, trabalho em equipe e dinamicidade. O resultado? Mais gente ouvindo, lendo, vendo e se interessando pelos nossos programas, jornais, páginas. O trabalho com os meios de comunicação deve ser a extensão daquele outro trabalho de acolhimento, de escuta e de bom relacionamento que fazemos na comunicação presencial, interpessoal, inter-grupal ou inter-pastoral. Complementam-se para gerar comunhão e solidariedade. O comunicador é um amigo da comunidade que está a seu serviço, em permanente contato com as pessoas e as comunidades.

3. Mobiliza A metodologia interativa leva em consideração a vida das pessoas: seus problemas sociais, buscas de soluções, expressões culturais (música local, poesia, festas populares da região, violeiros etc.), opiniões da população sobre determinados temas (tabus, preconceitos, política, religião, aumento de preços, futebol etc.) e tantas outras coisas. Este trabalho pode levar à mobilização da comunidade, para que esta se organize e busque melhorar as suas próprias condições de vida: saneamento básico, melhor atendimento ou construção do posto de saúde, escola de qualidade para as crianças, construção da capela do bairro etc. Os programas de rádio, as difusoras, os jornais impressos podem mexer com a vida da comunidade, resgatando a esperança e fazendo surgir coisas boas. Como podemos fazer isso? Despertando as pessoas, o poder público, as instituições locais a fazerem juntos, a trabalharem em parceria, cada um fazendo a sua parte. O objetivo é o bem comum e o desenvolvimento sustentável da comunidade. Nossos programas de rádio, por exemplo, podem colocar em debate o problema do lixo. Podem provocar uma reunião para os vários setores da comunidade planejem como vão resolver, cada um fazendo o que está ao seu alcance. Nosso trabalho de comunicação ganha mais vida, tem mais sabor quando gera atitudes de solidariedade e desperta para a organização comunitária. Mas isso só se consegue com programas bem planejados, bem montados, cheios de vida e de calor humano, com matérias bem feitas que despertem vontades nas pessoas, que as façam sair do comodismo.

4. Presta serviços Tudo o que o(a) comunicador(a) cristão(ã) faz através dos meios deve estar a serviço das pessoas, das famílias e da comunidade. Assumir-se como SERVIDOR e não como “estrela” é um passo importante para se fazer comunicação cristã. Os “estrelas” fazem o contrário: trabalham para brilhar sozinhos, falam muito, querem destaque e fazem de tudo para que a comunidade esteja a seu serviço. O agente da Pascom fica feliz quando o seu programa ou seu jornal presta serviço e facilita a vida das pessoas. Quando isso acontece, a resposta vem logo: a comunidade se identifica com o programa ou jornal, as passam a ser ouvintes ou leitores assíduos, tornam-se amigas dos comunicadores. Prestar serviço vai desde os avisos, os comunicados dos horários das missas, do dia do pagamento dos funcionários, até as dicas para tirar manchas de roupas, para evitar acidentes domésticos e tantas outras coisas. A própria mobilização para melhorar a vida da comunidade já é uma prestação de serviços. Os programas e jornais que trazem coisas concretas, úteis à vida das pessoas, ganham ouvintes e leitores.

5. Valoriza a cultura local A evangelização exige inculturação. A encarnação do evangelho se dá nas realidades históricas, no hoje de cada tempo e no terreno da cultura. As pessoas criam, pensam, tentam interpretar o sentido da vida, o mundo. Criam linguagens para expressar o que deduzem, os saberes que elaboram, as interpretações que dão às coisas, a partir das experiências cotidianas. Sentem necessidade de partilhar tudo isso e socializam, comungam seus pensamentos, suas interpretações, suas idéias. Criam-se, assim, manifestações culturais coletivas que são carregadas de significados. São expressões da alma de um povo, de um grupo. Geram-se, desta forma, culturas diversas, dando interpretações diferentes do mundo. Este multiculturalismo, esta pluralidade de culturas, enriquece a humanidade. As culturas dos grupos humanos - de cada etnia, existente nas mais diversas regiões, nas pequenas comunidades – formam o patrimônio da humanidade. Quando a cultura de um grupo humano é esquecida ou eliminada, a humanidade toda empobrece. Jesus Cristo nos ensina, no seu jeito de se comunicar, que o respeito à diversidade cultural é imprescindível. Seu projeto de comunicação inclui o diferente, cria espaços de diálogo e realiza-se de acordo com as realidades humanas. Não foi isso que aconteceu com a samaritana, no Poço de Jacó? O comunicador cristão valoriza e leva em consideração a cultura local, dentro dos meios de comunicação. A música local, o sotaque da região, as expressões religiosas, as festas populares, a poesia matuta são valores que devem ter espaços em nossos meios de comunicação.

6. Evangeliza Respeitar as pessoas, passar informações corretas, mobilizar para a solidariedade, dar chances para que as pessoas exerçam o direito humano da comunicação, atuar com ética e em favor da vida, tudo isso faz parte do trabalho de evangelização. Evangelizar é despertar o desejo de viver os princípios do Evangelho no coração das pessoas. É animar para que as pessoas transformem este desejo em atitudes, em ações concretas. Usamos os meios para evangelizar através das mensagens, das histórias de vida que apresentamos nos MCS, das orações, dos depoimentos, das missas transmitidas etc.

7. Gera comunhão A metodologia interativa gera participação e comunhão, também através dos MCS. Neles, exercemos o nosso apostolado, a nossa vocação. Com eles podemos adentrar em águas mais profundas e ir além dos muros ou das quatro paredes das nossas paróquias ou pastorais. Chegar aos outros, à multidão que está lá fora, é o grande desafio que temos para este século. Mas chegar a eles através do diálogo, da amizade, do serviço, tudo para a construção da unidade e da paz.

Para lembrar: Quando só existe o trabalho com os meios de comunicação, numa paróquia ou diocese, já há um embrião, mas ainda não podemos dizer que há a Pastoral da Comunicação. O mais importante para se fazer Pastoral da Comunicação não é, simplesmente, adquirir equipamentos de comunicação para a comunidade, paróquia ou diocese, e pronto. Não! O mais importante é fazer um trabalho para que as pessoas comecem a melhorar o jeito de comunicar. Nossa MISSÃO é doar a vida ao serviço de evangelizar e humanizar as relações interpessoais, inter-grupais, inter-pastorais e aquelas relações que se estabelecem à distância, através do rádio, da televisão, dos impressos, da informática e outros. Trabalho pastoral se faz com gente. Precisamos lançar as redes em águas mais profundas para alcançar qualidade na nossa comunicação humana e cristã. Quando integramos os meios a este processo de melhoria gradativa da comunicação humana, aí, sim, eles ganham sentido. Caso contrário, poderemos ter um sofisticado arsenal de equipamentos na paróquia ou na diocese, e, paralelamente, sofrermos as conseqüências de uma comunicação humana superficial, com dificuldades nos relacionamentos entre as pessoas, grupos e pastorais. Quando já existe um trabalho de educação para a comunicação cristã, aí, sim, os meios ganham relevância e são importantíssimos para potencializar o trabalho da Pastoral da Comunicação. O trabalho da equipa da Pascom se completa com o uso dos meios, dos equipamentos sofisticados, com as tecnologias a serviço da vida, da solidariedade, da esperança e da paz. Para isso, é preciso investir na qualidade humana e técnica do comunicador. Os cursos, as oficinas, os seminário, todas as atividades de capacitação vão contribuindo para que possamos exercer a nossa vocação e na nossa missão de comunicadores cristãos, no rádio, na televisão, nos impressos, na internet e outros.

PARA MEXER COM AS IDEIAS

1. Com que meios de comunicação a equipe da Pascom da sua paróquia trabalha?

2. Que orientações para o trabalho com os MCS, descritos acima, já são colocadas em prática em sua paróquia?

3. O que ainda precisa ser superado pela sua paróquia no trabalho com os MCS?

4. Que sugestões de atividades, concretamente, você dá para melhorar o trabalho com os MCS em sua paróquia?

 

Fonte: http://www.rccrj.org.br