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10/05/2017

Curtir, comentar, compartilhar… preste atenção!

Por Pe. Erivaldo Dantas, ssp

A comunicação, palavra derivada do termo latino communicare, sempre foi, e ainda é, o elo de interação entre os seres humanos. É através da comunicação que as relações sociais e as manifestações religiosas, culturais e políticas são construídas. A comunicação se dá a partir da interação entre o emissor e o receptor. Emissor, aquele que emite a mensagem; receptor, aquele que recebe a mensagem. Entretanto, a comunicação só acontece efetivamente quando emissor e receptor interagem, porque comunicação é, necessariamente, interação para a construção de informação.

Ao longo da história, a comunicação passou por várias fases de desenvolvimento: da comunicação pré-histórica à comunicação oral; da comunicação oral à comunicação escrita; da comunicação escrita à comunicação mediada pelos meios de comunicação – rádio, TV, revistas, jornal impresso –; da comunicação verticalizada dos mass media à comunicação interativa, fruto do desenvolvimento tecnológico e digital. As fases do desenvolvimento da comunicação não significam a supressão de uma fase sobre a outra, mas a convergência das várias fases ao longo da história, ampliando as possibilidades de comunicação e interação.

Com o advento da internet e a possibilidade da comunicação em rede, surgem as chamadas redes sociais – Facebook, Twitter, Instagram, Snapchat –, que vêm revolucionando os modos de comunicação e interação entre os seres humanos, proporcionando uma comunicação interativa, globalizada, em tempo real. A comunicação em rede deu ao cidadão comum o poder de, além de consumir conteúdos, ser também produtor de conteúdo – um conteúdo que, uma vez publicado na grande rede de comunicação, pode se espalhar em larga escala, atingindo os mais variados públicos e provocando reações imediatas. Ao reagir a uma postagem nas redes sociais, o internauta pode curtir, comentar e/ou compartilhar, dependendo de seus objetivos e interesses.

A grande questão nesse cenário comunicacional contemporâneo é que pessoas de má-fé têm se utilizado desses meios para produzir e compartilhar falsas informações, disseminar o ódio, a intolerância, o preconceito. São pessoas que, como diz o ditado, gostam de ver o circo pegar fogo. Certa vez, o autor italiano Umberto Eco disse que as redes sociais deram voz a uma legião de imbecis, que, dependendo da forma como se manifestam, provocam consequências para toda a coletividade.

Aproveitar as benesses da tecnologia é direito de todo mundo, mas algumas questões práticas na utilização desses meios são de fundamental importância para o bem comum. Antes de produzir ou compartilhar informação nas redes sociais, certifique-se da veracidade da informação. Observe se a fonte da informação é confiável. Não compartilhe mensagens de ódio, de intolerância. Busque construir uma comunicação de solidariedade e respeito mútuo. Por isso, antes de curtir, comentar ou compartilhar alguma coisa nas redes sociais, preste atenção para não promover a mentira e a disseminação de falsas informações.

No próximo dia 28 de maio, a Igreja celebra o 51º Dia Mundial das Comunicações Sociais. Na mensagem para este dia, o Papa Francisco escolheu como tema:  “Não tenhas medo, que Eu estou contigo” (Is 43, 5). Ele nos convida a “comunicar esperança e confiança no nosso tempo”.

O Papa exorta a todos para que sejam promotores de uma “comunicação construtiva, que, rejeitando os preconceitos contra o outro, promova uma cultura do encontro por meio da qual se possa aprender a olhar, com convicta confiança, a realidade”.

Diante de um cenário com tantas más notícias, somos chamados a “oferecer aos homens e mulheres do nosso tempo relatos permeados pela lógica da ‘boa notícia’”.

Diz o Papa que para nós, cristãos, a Boa Notícia por excelência é o “Evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus” (Mc 1, 1). Devemos olhar a realidade à luz da Palavra.

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