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29/05/2017

Mês de junho: cultura e religiosidade

Por Tiago Melo*

Quando o mês de junho se aproxima, com ele vem o cheiro de fogueira, milho assado e várias comidas típicas. Há também um ritmo “arretado de bom” que domina as praças, ruas e casas: o forró! O céu é todo iluminado pelos fogos de artifício; os meninos estão com trajes caipira/matuto desfilando com seus bigodes pintados; as meninas com vestidos floridos de chita; casas, lojas e avenidas decoradas com bandeirolas, sanfonas e balões. No Brasil, o mês de junho é tempo de festa. Em algumas regiões, especialmente no Nordeste, é período de colheita, de abundância. Para uns é tempo de oração, com as tradicionais trezenas a santo Antônio. Os altares são construídos pelas mulheres nas casas e rezam, cantam os benditos para o santo casamenteiro. Uns fazem fogueira na véspera de São João, juntam os vizinhos e se tomam compadres e comadres. No dia de São Pedro e São Paulo, procissões fluviais e muita devoção com as “colunas” da Igreja.

Há um compositor brasileiro, chamado Lamartine Babo (1904-1963), natural do Rio de Janeiro, que foi um dos grandes compositores do século passado. Ele nos deixou algumas composições como “Chegou a hora da fogueira” e “Isso é lá com santo Antônio”, ademais de diversas outras marchinhas de carnaval. Sim, marchinhas de carnaval, e escritas no Rio de Janeiro. Quem não cantou ou dançou uma dessas músicas? De marchinhas, tomaram o ritmo de forró. Elas retratam bem o imaginário poético e religioso das festas juninas celebradas pelo Brasil afora.

Por trás dessas cores, odores e sabores estão as figuras religiosas de 4 santos: Antônio, João, Pedro e Paulo. No dia 13 de junho celebramos o primeiro, Antônio de Pádua ou de Lisboa. Foi um franciscano, presbítero, e o seu nome de registro é Fernando de Bulhões. Nasceu em Portugal em 1195. Na devoção ao santo criou-se a ideia de ser ele o santo casamenteiro por, em vida, ajudar os casais que não tinham condições de celebrar o sacramento do matrimônio. São João Batista é o precursor de Jesus. Foi ele quem batizou o Mestre. No dia 24 celebramos o seu nascimento, o único santo na Igreja do qual se celebra a natividade. Segundo tradições, o costume de acender fogueiras no seu dia é porque remete ao fato de que, quando ele nasceu, seus pais acenderam uma fogueira para avisar a vizinhança do acontecimento. São Pedro e São Paulo são celebrados juntos no dia 29. É solenidade na Igreja a celebração desses dois santos e apóstolos. O primeiro, pescador e presença constante como representante dos outros discípulos. O segundo, de perseguidor a perseguido. Tornou-se grande evangelizador entre os pagãos, e responsável pela entrada do cristianismo na Europa.

Os santos celebrados expressam a fé de um povo. Os ritos, orações e cantos são manifestações devocionais, sim, mas também são manifestações antropológicas. Ou seja, revelam as características constitutivas desta ou daquela comunidade. A festa e a alegria são próprias da vida cristã, vamos celebrar! Vale lembrar que divertir-se não tem nada a ver com exageros. Não solte balões, por exemplo; eles podem causar incêndios trazendo muitos danos a nós e à natureza. Vamos cantar e dançar: “São João não me atendendo / A são Pedro fui correndo / Nos portões do paraíso / Matrimônio! matrimônio! Isto é lá com santo Antônio…”.

*Tiago Melo é religioso paulino, jornalista e estudante de teologia. Natural de Goiana – PE, apaixonado por forró pé-de-serra, canjica, pamonha e milho assado.