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29/06/2017

São Pedro e São Paulo: os fortificados pilares da Igreja

Por João Paulo Bedor, religioso paulino

Essas duas importantes personalidades da Igreja eram distantes quando se tratava de pensamento, mas unidos em missão. Pedro e Paulo são a representação verdadeira da Igreja de Cristo, que dialoga, evangeliza e chega a um único objetivo: falar de Cristo aos povos, ANUNCIAR. Cada um traz consigo uma experiência própria, a Verdade única e um amor inestimável pelo anúncio da Boa-Nova de Cristo.

Pedro, pescador, um dos doze, recebeu o chamado do Senhor para exercer sua profissão em uma nova modalidade: ser pescador de homens. Era um homem rígido, de características imediatistas; não pensava bem sobre as coisas, mas, quando o fazia, era inspirador e inspirado por Deus, pronunciando grandes verdades da fé, que deixavam até o próprio Cristo admirado com sua audácia (cf. Mt 16,21-23). Sua irreflexão inicial o acabrunhou de muitos pesos e medos – ele chegou a negar o Senhor quando foi preso para ser morto. Pedro era firme como uma rocha, mas, nesse dia, reconhecendo sua fraqueza, soube ser a pedra que se emociona e chora tristemente por causa de seu erro. A pedra viu a verdadeira Rocha ser pisada pelos homens e rejeitada pelos que antes lhe batiam palmas; viu o Senhor de seus sonhos e ideais perecer na cruz. Mas também foi testemunha da ressurreição, foi também a verdadeira representação do pastor que ama Jesus e que pode apascentar as suas ovelhas (cf. Jo 21,15-19). Pedro se tornou exemplo para a Igreja de Deus e para o mundo.

Paulo, por sua vez, não perde sua importância: é uma das figuras mais emblemáticas do Novo Testamento. Ele foi o pioneiro das escrituras sobre Jesus, embora não o tenha conhecido pessoalmente. Paulo é a expressão dos que conhecem a Cristo tardiamente, mas se voltam para ele de todo o coração. É o apóstolo que viu o Senhor (cf. 9,3-31), ficou cego com a beleza, mas voltou a enxergar para contemplar Jesus em suas comunidades. Paulo é o apóstolo destemido, missionário dos povos e grande comunicador. Em suas cartas é notória a força de sua paixão por Cristo, o desejo de que sua mensagem atinja toda a terra e todas as culturas. Foi ele, também, mensageiro da Igreja. Homem fiel, que anunciou acima de tudo os valores do Reino, a conversão e, consequentemente, o amor (cf. 1Cor 13,13). Assim como Pedro, ele experimentou o processo de conversão e passou de perseguidor a seguidor de Jesus (cf. At 9,1-3; Gl 1,11-13). A conversão do jovem fariseu é início de uma caminhada bonita com a comunidade cristã e se torna uma grande contribuição para a evangelização dos primeiros e dos atuais cristãos. Paulo morreu pela espada, durante a perseguição aos cristãos; mas, com esse sangue derramado, brotou nova esperança para a comunidade nascente e fundamentou-se ainda mais sua missionariedade entre os povos.

Há quem pense que Pedro e Paulo eram inimigos, por cada decidir seguir seu caminho, cada um para um lado. No entanto, isso é um grande engano, pois o que unia os dois era um mesmo, grande e único amor: Cristo, Senhor e dono da Igreja. Pedro se tornou exemplo para os dirigentes da Igreja de Deus; Paulo, um exemplo de profundo amor a Deus e apóstolo missionário. Santos Mártires, rogai por nós.

No próximo domingo a Igreja celebra a solenidade de são Pedro e são Paulo, agradeçamos a Deus a vida e missão desses apóstolos, que pregaram o evangelho e seguiram com amor o caminho de Jesus.