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25/08/2017

Discernimento religioso na era digital

Por Paulo Henrique, seminarista paulino

A era tecnológica digital se expandiu rapidamente por todo mundo, reunindo pessoas no tocante à era virtual, “possibilitando” construir laços de amizade, entretenimento, conhecimento, partilhas. Muitos são os padres, leigos e leigas, agentes de pastorais, jovens católicos que estão conectados à sociedade cibernética.

Não se pode negar que a internet e as redes sociais são campos férteis para o trabalho pastoral de divulgação da palavra de Deus, de propagação das boas ações desenvolvidas pela Igreja. Contudo, a evangelização frente às redes sociais não pode se restringir apenas à publicação de passagens bíblicas, frases de santos, homilias de padres, divulgação de propagandas religiosas, mensagens do Papa, correntes de oração. É preciso evangelizar também contra a corrupção, as desigualdades, as intolerâncias e tudo aquilo que não se apresenta no palmilhar do reino de Deus.

Neste sentido, recordamos as palavras do Papa Francisco: “Não nos deixemos distrair pelas falsas sabedorias deste mundo, mas sigamos Jesus como único guia seguro que dá sentido à nossa vida”. De nada adiantará postar ou compartilhar algo que simbolize o abraço sem efetivar esse gesto no dia a dia. Nem tampouco é válido apresentar “aparências” de cordialidade no mundo virtual no tocante à família, por exemplo, sem viver de forma concreta uma vida amável no lar familiar. Triste, também, é viver uma identidade espiritual nas comunidades virtuais e não ter o menor gesto de misericórdia na concretude da vida.

A maneira de se expor no mundo virtual deve ter discernimento, ou seja, gestos, opiniões, postagens, comentários, tudo deve ser “cristãmente” pensado. Recordamos as palavras de são Paulo: “Tudo é permitido para mim, mas nem tudo me convém. Tudo é permitido para mim, mas não deixarei que nada me domine” (1Cor 6,12).

Podemos, sim, a partir da conectividade virtual tocar as pessoas com nossas postagens religiosas, mas não isolar-se e querer viver uma vida presa ao “casulo” das redes sociais e esquecer das relações reais que nos circundam.