Em El Salvador, Cristo continua a sofrer

Ninguém, me parece, ocupou-se de escrever a história das Anunciatinas em El Salvador. No próprio mundo paulino, muitos ignoram a sua presença e atividade apostólica na pequena República. Fica, então, bem justificado o espaço que @paulinos agora lhe dedica.
O Instituto Nossa Senhora da Anunciação foi promovido por uma ex-Filha de São Paulo, Pilar Manceñido que, em 1962, chegou em El Salvador com orientações e faculdades particulares recebidas do próprio Fundador, Padre Alberione (na foto com a primeira Anunciatina, Pilar Manceñido, aos 4 de julho de 1963, no México). Graças à sua sensibilidade social, ao seu ardor de evangelizador e à sua capacidade organizativa, pôde, desde o início, motivar as Anunciatinas salvadorenhas para um impulso apostólico que, à difusão do Evangelho, acrescenta um forte e inteligente empenho na pastoral social, tão necessária naquela nação. Ainda hoje subsistem várias das muitas “cooperativas” constituídas e organizadas por elas para ajudar e para que se ajudassem as diversas categorias de trabalhadores.
À sua livraria de San Salvador, que surgiu muito rapidamente, somou-se outra em Manágua, capital da vizinha Nicarágua. Esta segunda livraria funcionou de 1968 a 1972, quando um terrível terremoto a reduziu a pó. Tiveram, depois, uma livraria em Santa Rosa de Copán (Honduras), a qual deixaram para ocuparem-se de outra em Tegucigalpa, capital hondurenha.
Atualmente, o empenho mais forte da pastoral social elas o desenvolvem em San Vicente, um dos 14 “Departamentos” em que está dividido El Salvador. À cabeça deste multíplice serviço, que abraça promoção integral das pessoas, auxílio sanitário, obra assistencial, instrução e catequese, trabalha intensamente Juanita Ponce, em condições verdadeiramente heroicas, mas sempre animada pela “dupla chama” do amor a Deus e do amor ao próximo. Já se ousou defini-la como a “Madre Teresa de El Salvador”, mas ela reagiu dizendo: “É pecado vocês dizerem isso. Como podem comparar a mim, indigna serva de Nosso Senhor, com a Madre Teresa, que era santa?”.
No que diz respeito à santidade, ninguém pode julgar; só Deus conhece o que cada um é diante da sua presença. Mas o testemunho, as boas ações, a caridade vivida com as obras e não só com as palavras, isto foi pedido pelo Divino Mestre, e é para sua glória fazê-lo conhecer e mover o próximo a também fazê-lo, e ainda a ajudar quem está perdendo a própria vida pelo próximo.
Se Cristo sofre em El Salvador, é preciso que haja também “anjos consoladores”, isto é, os obreiros da paz, os promotores da justiça e do progresso integral.
Escreveu-me em data recente uma das Anunciatinas de El Salvador: “Em nosso país há um marcado clima de violência; isto significa delitos, extorsões, assaltos etc. Esta situação torna-se sempre menos suportável, vai de mal a pior e, por isso, pedimos suas orações. Aqui os bispos propuseram novenas de Missas em favor da paz…”.
Outra delas me confiou: “Aqui o salário oscila entre 380 e 415 dólares por mês, e tudo é muito caro. Até mesmo as pessoas empregadas vivem em condições de grande limitação. A realidade é que em nosso país a riqueza é monopolizada por 7 ou 8 famílias, donas de quase toda a terra. É um verdadeiro caos, e muitíssimas famílias sofrem a extrema pobreza”.
Soube, também recentemente, que foi roubado o carro que elas tinham em San Salvador, e ainda um pick-up que lhes servia para o serviço social em San Vicente, no interior do país.

Cristo continua a sofrer em El Salvador!
Para informações, dirigir-se a: Institutos Paulinos – Via Raposo Tavares, Km 18,5 – 05576-200 – São Paulo – SP
institutospaulinos@paulinos.org.br
Por Juan Manuel Galaviz, ssp

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