O Instituto “Jesus Sacerdote” para o clero diocesano

Por Doménico Cáscasi

O bem-aventurado Tiago Alberione fundou em 1958 os Institutos Paulinos de vida secular consagrada entre eles o Instituto “Jesus Sacerdote”, aprovado pela Santa Sé em 8 de abril de 1960. O Instituto recebe sacerdotes diocesanos.
Entre as dez primeiras instituições, que constituem a Família Paulina, a vocação para o Instituto “Jesus Sacerdote”, à primeira vista, parece ser a que apresenta mais dificuldades para ser compreendida e acolhida.
O Instituto tem como membros somente sacerdotes diocesanos. Será que eles já não têm vocação própria, clara e comprovada ao longo do tempo passado no seminário antes da ordenação sacerdotal? O que significam as palavras do Estatuto: “para ser membro do Instituto se exige a vocação divina”? O sacerdote diocesano não está ligado ao presbitério de sua diocese e às promessas feitas ao seu bispo? Seguir uma forma de espiritualidade diferente da diocesana, será que significa estar como insatisfeito com a riqueza espiritual posta em evidência pelo decreto conciliar “Presbiterorum ordinis”? Já existem tantos movimentos nas paróquias. Por que o pároco tem que escolher outro movimento? Não é mais sábio ficar por fora de todos os movimentos, sem entrar na famosa divisão: “Eu sou de Pedro” ou “Eu sou de Paulo”, divisão condenada pelo Apóstolo Paulo?
São interrogações que se apresentam ao sacerdote diocesano, quando pensa em aderir à “vocação paulina”. Parece que há motivo suficiente para uma resposta evasiva, porém sincera: “Não, obrigado”.

“A mão de Deus sobre mim”
“A mão de Deus está sobre mim desde 1900 até 1960. A vontade de Deus cumpriu-se, apesar da miséria de quem viria a ser seu instrumento indigno e inepto. Do tabernáculo: a luz, a graça, os apelos, a força, as vocações: no início e ao longo da caminhada… Sinto a gravidade, diante de Deus e dos homens, da missão que o Senhor me confiou… Isso é para mim e para todos garantia de tudo o que o Senhor quis e fez… Aprouve a Deus que me encontrasse ainda em condições de saúde e com possibilidades de completar a Família Paulina com os três Institutos Seculares… Posso assegurar que tudo foi feito sempre e somente à luz do Tabernáculo e na obediência. As aprovações da Igreja são garantia de que as instituições são boas, podem conduzir à santidade e são conformes com as necessidades dos tempos”.
Essa é a introdução com que Pe. Alberione apresenta os Institutos Paulinos aos confrades que chegaram de várias partes do mundo em abril de 1960, na casa “Divino Mestre” em Aríccia. Pe. Alberione continua na V Instrução da terceira semana do “Mês de exercícios espirituais”: “O Instituto Jesus Sacerdote é para o clero diocesano. Tantos sacerdotes sentem necessidade viva de uma espiritualidade mais profunda, de uma família espiritual à qual pertencer, de uma vida mais empenhada na perfeição, abraçando os conselhos evangélicos. E o procuram, permanecendo em seu lugar de ministério tão necessário, embora pesado. A eles se oferece o Instituto Jesus Sacerdote”.
Os sacerdotes da Pia Sociedade de São Paulo, se acreditam em nossa vocação, devem levar a sério as palavras do bem-aventurado Tiago Alberione e questionar: Por que o Instituto “Jesus Sacerdote” é tão pouco difundido e quase desconhecido nas nações onde está presente a sua Congregação?
Quando o Delegado do Instituto Jesus Sacerdote Pe. Estêvão Lamera — que acreditava verdadeiramente nas palavras do bem-aventurado Tiago Alberione — encontrava um sacerdote disposto, lhe apresentava uma folha e dizia: “Assine!”, “O quê?”, “Assine!” E antes que acabasse de assinar, ouvia: “A partir de hoje, você pertence ao Instituto Jesus Sacerdote. Está recebendo uma graça a mais! Agradeça à Rainha dos Apóstolos, a São José e a São Paulo. Reze ao venerável Pe. Tiago Alberione”. Muitos ficavam pasmados. Hoje todos agradecem também ao Pe. Estêvão, porque tinham verdadeiramente recebido uma graça a mais no ministério.
Diante desses fatos, há de se perguntar: O que devemos pensar, considerando, como motivo mais que suficiente, a resposta sincera: “Não, obrigado”? O Concílio Vaticano II aprova e exorta os presbíteros a fazerem parte de Institutos Seculares. Este ensinamento foi reforçado por João Paulo II (cf. Perfectae caritatis, n. 11; João Paulo II, Pastores dabo vobis, n. 81; Vita consecrata, n. 10).
O bem-aventurado Tiago Alberione apresenta múltiplas razões que justificam a adesão dos sacerdotes diocesanos ao Instituto Jesus Sacerdote. Cada uma delas mereceria estudo particular. O Instituto está a serviço dos sacerdotes que querem permanecer “em seu lugar de ministério tão necessário, embora tão pesado”, e viver uma espiritualidade profunda.
A “espiritualidade diocesana” de per si não existe, porque não é possível que cada diocese tenha a sua espiritualidade. É justo, porém, falar de “espiritualidade pastoral”, que coincide com o estilo de vida do Mestre Jesus e poderia ser sintetizada nos poucos versículos do Evangelho: “Jesus viu uma grande multidão e teve compaixão dela, pois eram como ovelhas sem pastor. Então começou a ensinar-lhes muitas coisas…”. Está na base do Instituto a imagem de Jesus Mestre como “Bom Pastor”, vivida com o estilo de vida de São Paulo.
Os membros do Instituto Jesus Sacerdote são cerca de 330; entre eles alguns bispos. O Estatuto aprovado pela Santa Sé é a garantia de que o Instituto está de acordo com a vontade de Deus e é oportuno para os nossos tempos.
O Delegado Provincial, sacerdote da Pia Sociedade de São Paulo, é o animador do Instituto, programa os cursos de exercícios espirituais, anima os retiros e as reuniões mensais.
É sempre possível obter informações do Instituto. Dirija-se a este endereço:

Delegado dos Institutos Paulinos
Via Raposo Tavares, km 18,5
05576-200 — São Paulo – SP
institutospaulinos@paulinos.org.br

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