O Instituto Nossa Senhora da Anunciação

No decorrer do ano 1958, Pe. Alberione apresenta amplamente à viva voz e por escrito a paulinos e paulinas o Instituto “São Gabriel Arcanjo”, para homens; o Instituto “Nossa Senhora da Anunciação”, para mulheres; o Instituto “Jesus Sacerdote”, para os presbíteros diocesanos.
Os primeiros dois Institutos são como as duas “asas” que levantam voo a partir do primeiro mistério da Redenção, isto é, da Encarnação. O Fundador põe em destaque este mistério atribuindo e garantindo aos dois Institutos como respectivos patronos e títulos o Arcanjo Gabriel e Nossa Senhora da Anunciação.

O primeiro grupo de “Anunciatinas”
Em 20 de julho de 1958, o paulino Pe. Carlos Stella (1913-1973) apresenta a Pe. Alberione em Balsamo (Milão) algumas senhoritas que constituem o primeiro grupo de Anunciatinas. O Fundador lhes fala da “via comum, que é a família”, e se delonga a respeito de “um chamado melhor”, “uma vida mais perfeita, que se vive em uma comunidade religiosa”. Em seguida ele apresenta detalhadamente “uma vida que se leva no mundo, mas também esta última, no estado de perfeição, isto é, de santificação…, porque os compromissos ou votos, as promessas de ser totalmente de Deus” são “reconhecidos pela Igreja… nestes Institutos Seculares… Portanto, enquanto até agora tendes caminhado em uma vida de santificação individual – ele lhes informa – podereis entrar em uma vida de santificação social”. Trata-se de “uma vida que requer muito trabalho espiritual, muita oração, muita vigilância” e um apostolado que é “empenhar a vossa vida para fazer o bem…, que se faz com a oração…, com o bom exemplo…, com a vida de sofrimento e de paciência unida aos sofrimentos do Divino Salvador… Pode ser apostolado missionário na paróquia, na fábrica, no escritório, na sociedade, numa escola, pela juventude ou pelos doentes… Os apostolados são incontáveis” (MCS, p. 7).
O Fundador lhes fala sobre as razões pelas quais se entra nos Institutos seculares: se a pessoa deseja “consagrar-se ao Senhor numa vida de maior perfeição e dedicar-se ao mesmo tempo a um apostolado para a salvação das almas”, como também ter “uma vida bem orientada…, portanto, caminhar firmes…, mas também liberdade de iniciativas…, ser um pouco ágeis nas necessidades novas dos tempos”; enfim “porque a religiosa não pode ir a toda parte, o sacerdote não pode ir a toda parte” (MCS p. 9). Em síntese se propõe “a passagem de uma vida boa a uma vida melhor, e de uma vida nem sempre guiada pelo mesmo espírito, na mesma espiritualidade, a uma vida espiritual regular, em que se recebem instruções e se recebe orientação” (MCS, p. 13).
Ele apresenta, portanto, a estas senhoritas o Instituto “Nossa Senhora da Anunciação”, caracterizado também por “certa discrição”, graças à qual elas são protegidas em caso de perseguições; e pelas roupas seculares, que permitem “levar a vida de perfeição, de santidade, não somente nos conventos, mas nas casas, nos escritórios, nas fábricas, nas famílias, nas escolas, ou seja, em todos os ambientes” (MCS, p. 11). Ele as orienta, portanto, à escolha, insistindo com elas sobre a necessidade de um grande amor ao Senhor, à Igreja, às almas, e do desejo de santificar-se. Põe-se a detalhar as modalidades dos apostolados possíveis para elas, indicando de modo especial o do bom exemplo: “Então, mesmo dando a impressão de fazer pouco, se faz sempre muito, porque há o bom exemplo. A pessoa que é sempre reta, que fala sempre bem, que cumpre o seu dever com consciência, quanto bom exemplo dá! Pode acontecer que alguma vez, por leviandade, os outros a menosprezem; mas no coração, bem no fundo, sentem que é uma pessoa melhor do que eles, uma pessoa reta, e ficam com uma boa impressão; cedo ou tarde aquela boa impressão produzirá talvez um ato de arrependimento, talvez uma nova orientação para a vida” (MCS, p. 17).
Oferece muitas indicações concretas para a observância dos votos, no estado de vida secular consagrada, sugerindo que “pensem também no futuro, porque é necessário lembrar-se de que se pode ficar doente e envelhecer” (MCS, p. 19).

Fundação
Nos dias 11-12 de agosto de 1958, Pe. Alberione dirige em Balsamo o primeiro curso de Exercícios espirituais para as Anunciatinas, pondo em destaque o mérito da vida cristã, da vida consagrada e do apostolado; o sentido da consagração vivida no mundo; a obediência da consagrada e a importância da oração (cf. MCS, pp. 21-58). Oferece luz, conselhos, exortações, encorajamentos em vista de um sábio discernimento e uma escolha de vida conforme a vontade de Deus e as próprias aspirações: “Pode haver vários graus no viver a vida… Há pessoas que comungam todos os dias, confessam-se, vivem unidas a Deus, querem fixar o seu coração em Deus e o amam. E estes cristãos podem ser encontrados no caminho simples, o mais comum, isto é, o caminho do matrimônio; ou então são pessoas que não se encaminharam para o matrimônio porque o Senhor nos seus desígnios as chamou a viver de outro modo, o de servir o Senhor, também sozinhas no mundo” (MCS, p. 23).
Nas decisões que devem tomar, ele as orienta a dialogar com o Senhor, justamente por se tratar de decisões sérias, que envolvem a vida toda: “Nestes dias é bom que penseis o que o Senhor quer de vós, o que vos faz sentir na alma, no coração. Pensar serenamente, sem agitação. ‘Senhor, o que queres de mim? O que te agrada, Senhor?’… Cada uma deve falar de si mesma com Jesus. Devemos falar sobre as coisas da nossa alma entre nós e Jesus, no silêncio, para poder sentir as inspirações de Deus. Deus espera que façamos silêncio para que ele possa falar; se nos antecipamos, ele é bem educado e não se intromete para nos perturbar; mas se fazemos silêncio para ouvi-lo, ele falará. Depois, naturalmente os pensamentos, as resoluções, é bom dizê-las ao representante de Deus; não só as resoluções, mas também o que poderia ser duvidoso, incerto, para obter aconselhamento” (MCS, pp. 28s).
Àquela que está pensando de ser apóstola no meio da sociedade, Pe. Alberione não propõe “outra espiritualidade…, a não ser cumprir bem o que se encontra a cada dia na vida” (cf. MCS, p. 30). Também aqui reforça a utilidade da discrição para os que se consagram a Deus nos Institutos seculares, cujos membros “não são conhecidos no seu ambiente de trabalho, de família ou em outro ambiente social… Não importa que sejais pessoas das quais não se fala – lhes diz –, pessoas que não fazem reuniões com muitos participantes e barulhentas, como às vezes acontece com certas associações externas; mas a vossa obra na Igreja de Deus é verdadeira, percebida” (MCS, p. 32). Garante, portanto, que as Anunciatinas recebem no Instituto “um endereço de espiritualidade. Eis a grande vantagem: guiadas do alto, guiadas sempre no mesmo caminho, seguindo sempre um regulamento” (MCS, p. 36).
Uma tônica especial ele a coloca na necessidade de ganhar para viver com o próprio trabalho, que é “verdadeiro exercício de pobreza. A pobreza não quer somente o desprendimento, mas quer a produção, isto é, ganhar o pão com o suor da fronte, e exige que por vezes produzamos também para ajudar pessoas da família ou parentes ou para ajudar os necessitados” (MCS, p. 34).
Neste curso de Exercício espirituais às primeiras Anunciatinas, ele se detém longamente e com detalhes a respeito da obediência da pessoa consagrada. “A vida do bom cristão – o Fundador comunica – pode ser comparada ao fruto produzido por uma planta… A pessoa que se consagra a Deus oferece também a planta, não somente o fruto, isto é, todo o seu ser”, submetendo-se ao Senhor, sem que ela escolha “o bem a fazer, mas aceitando o que é proposto, prescrito” (MCS, p. 41).
A alma da obediência – ele continua – consiste em adequar-se à vontade do Senhor na “união de todo o nosso ser com Deus”; portanto “a obediência é uma virtude e um voto que tornam ouro precioso qualquer mínima ação” (MCS, p. 44), fazendo um grande bem sem barulho.
A mulher consagrada no Instituto “personaliza” o horário; o regulamento de vida, em que se assinalam as obras de piedade que se quer praticar; o trabalho que se faz durante o dia e depois todas as obras de apostolado, às quais quer se dedicar ou que escolhe como seu dever. “Com a aprovação de quem orienta, tudo é feito por obediência e por isso qualquer coisa que se faça, também o comer, o repousar, o dormir e o lazer… tudo é por obediência” (MCS, p. 47). O sacerdote orientador respeitará o espírito da consagrada, disposto a “sentir a pessoa, compreender a missão, sua vocação e acompanhá-la com as exortações, com a benção… e com a oração” (MCS, p. 48).
Pe. Alberione conclui os Exercícios espirituais com uma meditação sobre a oração, seja ela vocal ou mental, espontânea ou expressa por meio de fórmulas. Ele insiste com as Anunciatinas sobre a necessidade da oração contínua, a fim de que transformem sua vida em oração vital, a ponto de considerar que quando trabalham rezam.
Em 12 de agosto de 1958, ao terminar este curso de Exercícios às Anunciatinas, o Fundador acolhe o primeiro grupo de 12 delas que aderem ao Instituto, entrando no noviciado.

Pe. Ângelo De Simone, ssp.

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Instituto Nossa Senhora da Anunciação (para moças)
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da Redação

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