Padre Alberione e a pregação multimedial

O dinamismo e a ação apostólica supõem o dom do Espírito de Deus, pois tanto quem tem o carisma de guiar, quanto quem tem o de aderir, necessitam de muita luz natural e sobrenatural. Pe. Alberione está certo do dom que vem do Alto na fidelidade à Igreja, ciente de seguir neste caminho a benévola vontade divina, que é o fim último de todo apostolado cristão para o mundo. A Igreja, não somente a hierarquia, mas todo o povo de Deus usufrui da liberdade dos filhos de Deus e, quando é compacta em si mesma, pode facilmente ser a luz colocada sobre o monte e sacramento de salvação. O fundador da Família Paulina haverá de se preocupar, com meticulosa vigilância, em manter-se fiel à Igreja, de tal modo que os membros da Pia Sociedade de São Paulo na profissão dos conselhos evangélicos com o voto de pobreza, castidade e obediência, unem a estes também o quarto voto, o de fidelidade ao papa.

Fidelidade à Igreja
Quando Pe. Alberione, no começo do século XX, inicia os seus primeiros Institutos, desencadeiam-se na Igreja as doutrinas modernistas. É por esse motivo que ele “sente-se obrigado a servir a Igreja” (AD 20), a “fazer sentir a presença da Igreja em cada problema” (AD 65), e “ele tem sempre claro o pensamento de viver e agir na Igreja e pela Igreja” (AD 95). Naquela época, exorta os seus jovens a “estar com o Papa”, o que “significa – ele lhes garante – viver sempre atualizados” (CISP 857s). E acrescenta: “Quem adere com profunda fé à Igreja católica, é sempre mais sábio do que aquele que vaga em busca de uma construção pessoal e arbitrária, vivendo de ilusões e construindo sobre a areia” (P 69).
O Fundador sente-se devedor à Igreja como cristão e como presbítero e está disposto a empenhar-se por ela também com grandes riscos. É necessário “intervir nos momentos difíceis pelos quais ela passa – ele propõe – levando a nossa contribuição de ação e oração; para voltar à sombra e ser criticados, desprezados, julgados com dureza, porque esperavam mais” (P 109).

A pregação multimidial
Pe. Alberione escrevia em 1922: “A Pia Sociedade de São Paulo é orientada a realizar com a palavra escrita o que os pregadores fazem com a palavra falada” (CISP 19s). Estava de fato convencido de que a eficácia da pregação não deriva da palavra oral ou instrumental do pregador, mas sim da “dynamis” da palavra de Deus, “viva e eficaz e mais afiada do que uma espada de dois gumes” (Hb 4,12), pela qual são Paulo podia colocar expressamente as suas cartas no mesmo nível da pregação oral (cf. 2Ts 2,2.15; 2Cor 10,11ss; 1Tm3,14ss), imitando a Deus que “falou e escreveu, como Jesus Cristo falou e fez escrever, como os apóstolos falaram e escreveram” (DF [Donec formetur] 93).
Para Alberione a pregação pode, portanto, chegar aos homens mediante os instrumentos da comunicação social. Ele a considera “extraordinária” em relação à “ordinária”, isto é, a oral. Todavia está absolutamente convencido de seguir a mesma linha da pregação de Cristo, nas pegadas dos apóstolos e da Igreja. Obtém para a atividade especifica dos paulinos a cidadania eclesial – por parte de um concílio ecumênico, o Vaticano II com a “Inter mirifica” – e não apenas como obra que apóia a pregação oral, mas como pregação em sentido próprio.
Ele não só pretende potencializar os meios tradicionais da evangelização, que é “feita na Igreja, nas escolas, onde é possível, e sempre nas famílias cristãs” (EM 44), mas está convencido de que é indispensável assumir como veículos todos os instrumentos de comunicação social, os quais “são capazes de ampliar, quase até ao infinito, o campo de escuta da Palavra de Deus e fazem com que a boa nova chegue a milhões de pessoas”, tornando-se “uma versão moderna e eficaz do púlpito” (EM 45).
Sem dúvida ele não pretende colocar a pregação feita de longe “no lugar da evangelização e da catequese feitas de perto, isto é, à viva voz, mas pretende aproximá-la destas, não como subsídio – portanto facultativo –, mas como veículo de salvação que chegou ao palco da história após o anúncio tradicional, mas que aí age com total equivalência” (R. F. ESPOSITO, “Jesus Mestre Caminho, Verdade e Vida”, em “Via Verità e Vita”, n. 90, novembro-dezembro de 1982, p. 39).

Urgentes, rápidos e eficazes instrumentos
do apostolado católico

Embora o pensamento do magistério da Igreja sobre a comunicação social tenha-se evoluído gradativamente, no tempo de Pe. Alberione, ao invés, nos textos e nos planos de pastoral tinha-se dificuldade de assumi-la numa dimensão antropológica positiva (Cf. D. SPOLETINI ssp, “Mass-media e catechesi”, Edições Paulinas, Roma 1976) dado que se pressentia o perigo da idolatria tecnológica, que leva os instrumentos do progresso humano a funcionar como máquinas que manipulam as pessoas e a verdade. Justamente por isso, durante a vida toda, Alberione exortará seus discípulos a redimir, purificar – mas também desmitizar – os meios de comunicação do grave abuso que deles sempre se fez, a fim de elevá-los ao papel e à função que lhes compete na evangelização e na cultura.
Ele vislumbrava ao seu redor o fermento de uma sociedade que evoluía e progredia. “O mundo – ele afirmava – evolui rapidamente: os centros habitados, a cultura, o comércio vão mudando de lugar. Revoluções pacíficas e rápidas são feitas através da imprensa, do rádio, do cinema, da televisão, da aviação, dos movimentos políticos, sociais, industriais, da energia atômica […]. Quem para ou vai mais devagar fica logo para trás” (CISP 1010). Via os “novos meios de transmitir o pensamento” como veículos de uma extraordinária incidência, pois eles “agem poderosamente sobre as massas; podem de maneira séria e grandiosa reforçar os quatro alicerces da convivência humana: a família, a ordem social, a ordem religiosa, a ordem humano-moral” (ib. 802).
Dedicou-se, pois, a assumi-los positivamente, não como simples amplificadores, mas com uma autonomia própria, isto é, mediante os processos operativos internos que têm influência sobre os conteúdos e os destinatários. Estava certo da ambivalência desses processos, já inscritos no tecido e na linguagem da sociedade contemporânea e de tal modo que podiam ser assumidos na realidade. Solicitava, portanto, que se buscassem “os melhores meios para a produção do livro, do periódico, do filme” (P 164), pois “o modo como dizer nunca pode ser banal” e os escritos do apóstolo – se apresentam “o verdadeiro na doutrina, o bem na moral, o belo na forma – possuem as condições naturais para serem bem acolhidos” (P 167).
“A imprensa, o cinema, o rádio, a televisão – ele continuava – constituem hoje as mais urgentes, as mais rápidas e as mais eficazes obras do apostolado católico” (UPS I, 113). Quando “estes meios do progresso servem para a evangelização, recebem uma consagração, são elevados à máxima dignidade. A sala do escritor, o local da técnica, a livraria tornam-se Igreja e púlpito” (ib. 316). E ainda: “A máquina, o microfone, a tela são nosso púlpito; a tipografia, a sala de produção, de projeção, de transmissão, são como que nossa Igreja” (CISP 832).

Pe. Ângelo De Simone, ssp.

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da Redação

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