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14/06/2019

A liquidez da comunicação

Por Felipe Borges, seminarista paulino

A comunicação acompanha a história da humanidade, marcando o seu cotidiano em todos os âmbitos. Olhar para essa realidade significa refletir por que o ser humano ainda não se realizou diante de tantos avanços, como também questionar a liquidez desses processos, inspirados pelo pensamento Baumaniano.

Mensagens, notícias, imagens, vídeos e tantas outras coisas são transmitidos simultaneamente nos meios de comunicação, de modo mais evidente nos smartphones; até mesmo a individualidade do ser passa por esse processo de transmissão. O que se questiona, entretanto, é o objetivo real desse processo transmissor. Se se pergunta a uma pessoa o que ela viu no dia anterior, ou se as informações passadas estão em sua memória, ou se serão úteis para sua vida, a sinceridade levará a um não.

Outro ponto que merece ser profundamente refletido é a individualidade que esses meios têm gerado. Em vez do que se pretendia alcançar, uma interação e aproximação entre as pessoas tem causado o inverso; e quando geram proximidade, muitas vezes, é interesseira e oportunista, sem estabelecer vínculos profundos.

Essa liquidez, inconsistência do que é transmitido por esses meios comunicacionais, deve levar a sociedade a uma séria reflexão sobre o papel que tais meios têm para sua aproximação e solidificação, não no sentido de uma homogeneidade, mas de uma pluralidade condensada na unidade. Pois, se os meios de comunicação não exercem o seu papel de interação social, não estão cumprindo seu objetivo na sociedade.

Falando desse papel social, os meios existem porque o ser humano os manipula. Citando Bauman em sua carta Sozinhos no meio da multidão: “É tolice além de injusto culpar apenas a técnica pelo que está acontecendo com as pessoas que nascem num mundo ligado por conexões a cabo, com fio ou sem fio”. Se a comunicação está líquida, é porque, antes de tudo, o ser humano também se tornou líquido. Diante disso, é preciso repensar nossos valores e atitudes; que levem a um bem-estar pautado na empatia e humanização.

Sendo assim, a liquidez da comunicação que parte do ser humano deve encontrar sua solução num amadurecimento desse ser para o correto uso dos meios e o aprimoramento de sua compreensão de seu lugar no mundo, que é neles explicitado.