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18/04/2019

A ceia do Senhor

Por Pe. José Erivaldo Dantas, ssp

A celebração da Ceia do Senhor, que marca o início do Tríduo Pascal, tem como eixo condutor o lava-pés; rito que encontra seu fundamento no exemplo deixado por Jesus. Por meio desse rito, o Senhor nos convida a assumir hoje os seus gestos, palavras e ações; o que só nos será possível realizar mediante a prática do amor, como reflexo de um amor maior que nos alcançou. De fato, Jesus, “tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim” (v. 1).

O gesto do Mestre de lavar os pés dos discípulos ensina que segui-lo não se traduz em ser servido, mas sim em pôr-se a serviço dos outros. Por isso ele, sabendo que a sua hora havia chegado, sentiu a necessidade de dar as últimas instruções àqueles que seriam os responsáveis por levar adiante o anúncio da boa-nova do Reino de Deus a todos os povos, mediante as palavras e o testemunho de vida.

Naquela época, os encarregados de lavar os pés das pessoas eram os escravos. Esse dado explica a dificuldade de Pedro de compreender o gesto de Jesus, a ponto de querer impedi-lo de lavar-lhe os pés. Mas o Senhor, sabendo a importância daquele ensinamento, diz a Pedro: “Agora, não entendes o que estou fazendo; mais tarde compreenderás” (v. 7). Com isso quer dizer que mais tarde o discípulo vai entender: seguir o Mestre é fazer-se servo dos outros.

Para dar testemunho de Cristo, é indispensável a prática do amor. Não é possível viver o evangelho sem a vivência concreta do amor, que se manifesta na doação e no cuidado de uns para com os outros. Toda a vida pública de Jesus esteve respaldada pela prática concreta do amor; um amor que nunca decepciona e é capaz de chegar até as últimas consequências.

A última frase de Jesus, no evangelho da quinta-feira santa, começa com a expressão: “Dei-vos o exemplo” (v. 15). Isso para dizer que assim como ele, nosso Mestre, tomou a iniciativa de se abaixar para lavar os pés dos discípulos, também nós devemos nos abaixar para lavar os pés uns dos outros. Tal atitude não se resume a simplesmente realizar o ritual simbólico próprio da celebração de hoje, mas implica sobretudo cultivar, no dia a dia, a capacidade de nos pormos a serviço daqueles que mais necessitam; de modo especial, dos mais pobres e vulneráveis da sociedade.