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26/09/2013

A Oração por base

Por José Ricardo, seminarista paulino

Vivemos em um tempo, uma sociedade, em que tudo passa, muda rapidamente, o que nos põe diante do desfio de estarmos sempre acompanhando tais mudanças. Neste mundo em que tanta coisa acontece ao mesmo tempo é, muitas vezes, estranho para quem olha de fora da realidade da vida religiosa, pessoas que se dedicam e cultivam uma vida de oração e trabalho.

Vivemos no tempo do fazer. Nosso Fundador, – bem-aventurado Tiago Alberione – na noite em que teve a iluminação, sentiu-se Chamado a preparar-se para fazer alguma coisa pelos homens do novo século. E preparar-se para fazer algo não está ligado somente a questões como o estudo ou aprimoramento das técnicas já possuídas, mas, em primeiro lugar, à necessidade do cultivo de uma vida interior, de uma vida de oração e comunhão profunda com Deus. Ele dizia: “maldito o estudo, maldito o apostolado etc. pelos quais se abandona a oração”.

Talvez uma questão com a qual nos deparamos seja a seguinte: o trabalho de um religioso pode ser feito por uma pessoa “comum”? Veremos que sim, mas a missão não. A missão de Jesus Cristo, que é confiada a cada consagrado, só é missão de fato, quando este imprime naquilo que faz uma espiritualidade. Caso contrário é apenas um trabalho como outros tantos. A vida de piedade nos sustenta na missão. Ela é a verdadeira base. Jesus já nos mostrou aquilo que é mais importante: “Maria escolheu a melhor parte e esta não lhe será tirada.” É esse diálogo com o Divino Mestre que nos ajuda a seguir.

Padre Alberione foi o melhor exemplo dessa vivência orante e fortemente apostólica. Não era possível dividir o homem de oração do homem que trabalhava incansavelmente. O grande desafio hoje é como viver essa realidade tão necessária para a missão. É fazer com que os poucos momentos de oração do dia – poucos em relação a outros tempos – perpassem para todo o nosso dia. É fazer com que toda a atividade apostólica proceda da oração. Esse é um dos elementos que nos “diferenciam”. Não para a nossa glória, mas para sabermos que o peso da responsabilidade de levar a frente o projeto do Reino recai mais forte sobre nós. “A oração, portanto antes de tudo, acima de tudo, vida de tudo”. Quando se reduz a missão da Família Paulina ao uso dos meios técnicos, sem esse enraizamento em Deus, a evangelização torna-se vazia porque seremos bons técnicos, mas péssimos religiosos. Ao associar essas duas dimensões da missão damos cara nova àquilo que fazemos. Não basta ser moderno tem que ser eficaz.

Maria, é nossa companheira nessa jornada. Ela viveu essas duas dimensões – ação  e contemplação – como ninguém. Sigamos seu exemplo.