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31/05/2020

O Espírito Santo ensina, recorda e faz falar

«Todos ficaram repletos do Espírito Santo » (At 2,4)

Falando aos apóstolos na última Ceia, Jesus disse que, depois da sua partida deste mundo, lhes teria enviado o dom do Pai, ou seja o Espírito Santo (cf. Jo 15,26). Essa promessa realiza-se poderosamente no dia de Pentecostes, quando o Espírito Santo desce sobre os discípulos congregados no Cenáculo. Aquela efusão, embora tenha sido extraordinária, não foi única nem limitada àquele momento, mas é um acontecimento que se renovou e que ainda hoje se renova. Cristo glorificado à direita do Pai continua a cumprir a sua promessa, derramando sobre a Igreja o Espírito vivificador, que nos ensina, nos recorda e nos faz falar.

O Espírito Santo ensina-nos: é o Mestre interior. Ele orienta-nos pela senda reta, através das situações da vida. Indica-nos o caminho. Nos primórdios da Igreja, o Cristianismo era conhecido como «o caminho» (cf. At 9,2), e o próprio Jesus é o Caminho. O Espírito Santo ensina-nos a segui-lo, a caminhar nas suas pegadas. Mais do que um mestre de doutrina, o Espírito Santo é um Mestre de vida. E, sem dúvida, da vida faz parte também o saber, o conhecer, mas no contexto do horizonte mais amplo e harmonioso da existência cristã.

O Espírito Santo recorda-nos tudo aquilo que Jesus disse. É a memória viva da Igreja. E enquanto nos faz recordar, leva-nos também a compreender as palavras do Senhor…

O Espírito Santo ensina-nos, recorda-nos e — outra sua característica — faz-nos falar com Deus e com as pessoas. Não existem cristãos mudos, emudecidos de alma; não, não há lugar para isso.

Ele leva-nos a falar com Deus na oração. A oração é uma dádiva que nós recebemos gratuitamente; é diálogo com Ele no Espírito Santo, que ora em nós e que nos permite dirigir-nos a Deus chamando-lhe Pai, Aba (cf. Rm 8,15; Gl 4,4); e não se trata apenas de um «modo de dizer», mas da realidade: nós somos realmente filhos de Deus. «Todos aqueles que são conduzidos pelo Espírito de Deus são filhos de Deus» (Rm 8,14)…

No dia de Pentecostes, quando os discípulos «se tornaram repletos do Espírito Santo», teve lugar o batismo da Igreja, que nasceu «em saída», «em partida», para anunciar a Boa Notícia a todos. A Mãe Igreja parte para servir. Recordemos também a outra Mãe, a nossa Mãe que partiu com prontidão para servir. A Mãe Igreja e a Mãe Maria: ambas são virgens, ambas são mães, são ambas mulheres. Jesus foi peremptório com os Apóstolos: eles não deviam afastar-se de Jerusalém antes de ter recebido do alto a força do Espírito Santo (cf. At 1,4.8). Sem Ele não existe a missão, e nem sequer a evangelização. Por isso, juntamente com a Igreja inteira, com a nossa Mãe Igreja católica, invoquemos: Vinde, Espírito Santo!

Papa Francisco

(parte da homilia, no dia de Pentecostes de 2014)