Padre Alberione: Aberto aos acontecimentos

Desde o período escolar (1897-1907), Alberione se mostra diligente para aprender e assíduo leitor de livros (cf. AD [Abundantes Divitiae] 118s), aberto aos acontecimentos sócio-religiosos do tempo. “Tudo lhe serviu de escola” (AD 90), escreverá em 1953, então com setenta anos. A atenção do jovem seminarista se concentra em aprofundar o perfil refinadamente “leigo” do próprio Cristo. Escreverá que naqueles anos de estudo “meditou o grande mistério da vida laboriosa de Jesus de Nazaré. Um Deus que redime o mundo com as virtudes domésticas e com o duro trabalho até os trinta anos” (AD 127).

“A missão específica”
Numa vigília eucarística, “decisiva para a missão específica e o espírito particular em que nasceria e viveria a Família Paulina (AD 13), o jovem Alberione começa a projetar o futuro das suas fundações sob a “luz especial da Hóstia”. Fixa alguns pontos do projeto que se definirá cada vez melhor: em primeiro lugar “almas generosas” que “sentiriam o que ele sentia e […] reunidas em organização”. Para atingir o escopo, faz referência aos companheiros de estudo: ele com eles, eles com ele, todos haurindo do Tabernáculo” (AD 18), assumindo com firmeza alguns objetivos, como “a Eucaristia, o evangelho, o Papa, o novo século, a necessidade de um novo grupo de apóstolos […], a oração, o trabalho interior, as aspirações” (AD 20). “A ideia, antes muito confusa – ele referirá –, se esclarecia e, com o passar dos anos, também se concretizou” (AD 21).

“Obrigado a preparar-se”
“Obrigado a preparar-se” (AD 15) para a sua missão, continua a dedicar-se intensamente ao estudo, procurando conhecer melhor o ambiente social em que vive, aprofundando-se nas ciências históricas e sociais.
Sob o aspecto formativo o seminário de Alba se sente honrado em ter figuras altamente qualificadas, entre as quais o sacerdote Francisco Chiesa (1874-1946), José Priero (1880-1996) e o próprio bispo Francisco Re (1848-1933), graças aos quais a diocese de Alba se torna uma das mais florescentes do Piemonte. “Os grandes ensinamentos das encíclicas de Leão XIII” são interpretadas aos seminaristas por Francisco Chiesa, principalmente as “referentes às questões sociais e à liberdade da Igreja” (AD 19).

Ativo no campo social
Ordenado presbítero em 29 de junho de 1907, Pe. Alberione desempenha no seminário e na diocese diversas atividades e exerce vários cargos (cf. AD 36-100): pregador, escritor, conferencista na ação sindical, política, antimodernista (cf. AD 51). O ano de 1907 é de fato o período das repetidas condenações do modernismo que tenta uma aproximação da Igreja com a cultura moderna.
De 1908 a 1914, o jovem sacerdote se empenha em proferir e fazer com que outros proferissem aos estudantes do seminário conferências sobre temas sociais, participando ele próprio de congressos regionais e nacionais em seu nome e como representante do clero; bem como organizando “jornadas sociais” na diocese (cf. AD 51.58-63).
Propõe-se “salvaguardar os supremos bens das almas e da pátria” (AD 54); previne contra correntes ideológicas e sociais embebidas de liberalismo e dominadas pela maçonaria.
“Foi necessário percorrer boa parte das paróquias da diocese para introduzir [a União Popular] – ele escreverá em 1953 –, para conferências e para resolver problemas. Estávamos praticamente sozinhos […]. Ação e oração orientaram para um trabalho social cristão que tende ao saneamento de governos, escolas, leis, família, as relações entre as classes, e internacionais” (AD 61-63).
A diocese de Alba se mobiliza para promover a União Popular desejada pelo Papa Pio X (1835-1914). Em 1909, Francisco Chiesa prepara um opúsculo, intitulado “A União Popular explicada aos camponeses”, que divulga sua finalidade e seus programas. Pe. Alberione desenvolve atividades “para a Universidade católica de Milão […] em vista de recolher contribuições para o comitê promotor da sua fundação” (AD 58); dividindo o encargo com Pe. Chiesa, ele se empenha a visitar as paróquias da diocese, em que ambos apresentam a União Popular. As conferências são proferidas normalmente no domingo à noite, inspiram-se no opúsculo do Chiesa supramencionado e são mantidas com o apoio de numerosos artigos do semanário diocesano “Gazzetta d’Alba”.
Na assembleia diocesana de 1911, eles comunicam que visitaram 91 paróquias, das 99 da diocese, e que recolheram 2.406 adesões. Uma pequena paróquia tem muitos certificados de louvor e um reconhecimento por parte do sumo pontífice, porque nela cada família tem ao menos um de seus membros inscritos na União. O periódico “La Settimana Social” e (cf. CISP [Carissimi in San Paolo] 1489) de 25 de novembro de 1911 traz uma longa lista de distritos ao redor de Alba nos quais o teólogo Francisco Chiesa e o teólogo Tiago Alberione proferiram conferências para explicar ao povo o que era a União popular.
Entre os diversos volumes que Pe. Alberione publicou, dedicou um deles aos problemas sociais, como testemunho de sua sensibilidade para com as relações dos homens entre si e deles com as instituições que os governam. Ele desenvolveu, portanto, atividade social de forma direta: breve quanto ao tempo, mas intensa.

“Sua” visão do mundo
Desde a adolescência, Tiago Alberione se destaca pela sua aguçada personalidade e autonomia em relação ao seu ambiente. Gradativamente ele vai adquirindo uma consciência crítica com relação aos homens e à sociedade, fazendo dela uma profunda leitura e análise. “As aulas de história civil nos cursos de filosofia – ele escreverá –, e mais ainda a história eclesiástica nos cursos de teologia, davam-lhe a oportunidade de observar os males e as necessidades das nações, os temores e as esperanças” (AD 101). Referindo-se aos inícios do século XX, afirma que “no campo social grandes males perturbavam todo o sistema de produção, distribuição e consumo das riquezas. Os princípios liberais herdados da revolução francesa, os agravavam. Como reação, o socialismo penetrava amplamente trazendo consigo o materialismo e a luta de classe” (AD 52).
Iluminado, porém, sobre as realidades terrenas pela esperança cristã, Alberione capta, na sociedade do seu tempo, numerosos aspectos construtivos, afirmando que também nela se revela a presença de Deus, “que cuida das coisas grandes e pequenas: desde o átomo, o fio de cabelos, o lírio dos campos, até ao desenvolvimento do mundo físico, intelectual e moral” (P [Pensamentos] 23). Ele está convencido de que “desde a criação até a consumação, a vida é confortada por uma luz que vem da eternidade” e que “o cristão, entre os homens, é o mais entusiasta admirador do progresso científico-técnico” (P 26).

Pe. Ângelo De Simone, ssp.

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da Redação

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