Padre Alberione e os Institutos Paulinos

“Hoje, há muitas pessoas que querem buscar a própria santificação numa vida estável, juridicamente organizada e guiada pela obediência, mas sem ingressar nos institutos tradicionais, ou seja, sem abandonar seu ambiente de vida e de apostolado” (UPS III, 108 – 1960)
Na Igreja de Deus, há cerca de um século, mas principalmente nestes últimos cinquenta anos, os Institutos seculares prestam auxílio aos vários institutos religiosos. O Instituto secular tem duas propriedades:
1) É uma união de pessoas que querem buscar a perfeição mediante os santos votos. Seu primeiro elemento constitutivo, portanto, é o empenho para buscar a perfeição por meio dos votos.
2) Permanecendo, porém, no mundo. Estando em casa, buscam a perfeição, conforme foi dito, embora desenvolvendo seus trabalhos e suas responsabilidades cotidianas. Entretanto, não são propriamente religiosos porque não têm a obrigação da vida comum.
A constituição “Provida mater Ecclesia” (Pio XII, 2 de fevereiro de 1947) assinala que estas formas de perfeição são necessárias para chegar a toda parte, para poder inserir-se em todos os ambientes. O próprio hábito secular oferece-lhes a possibilidade de locomover-se por toda parte.
Graças a estas formas de perfeição pode-se participar mais intimamente, mais amplamente da obra da santificação, pela qual se dá glória a Deus, e da obra apostólica, pela qual se ajuda as almas. Certas pessoas têm na sociedade funções que é bom não abandonar, ou não têm saúde adequada para uma plena vida em comum, ou gostariam de um apostolado mais moderno e correspondente às necessidades atuais, ou uma maior agilidade para intervir em favor das novas necessidades do mundo, ou uma vida bem dirigida, vida espiritual bem orientada, mas com muita liberdade de iniciativas, a ponto de exercitar as tendências e todos os talentos próprios, embora sempre fazendo parte de uma União dirigida em nome da Igreja, com a segurança de agir com o mérito da obediência e, ao mesmo tempo, de agir no espírito da Igreja.
Ora, é verdade que há pessoas como estas no mundo, e são numerosas. Pessoas que buscam sinceramente a Deus e a maior perfeição. Pessoas que não têm inclinação para formar uma família, mas sentem-se atraídas pelo Senhor, no entanto, ao consagrar-se a Deus sentem que estão isoladas. Tomam um caminho e depois estão sempre em dúvida quanto a segui-lo e vão procurar mestres de espírito ou livros de certa espiritualidade e em parte abraçam um costume, em parte abraçam outro e seu progresso não é estável.
Muitas pessoas esperariam alcançar a perfeição se tivessem uma orientação e não somente de um sacerdote, do confessor, que talvez mudem muitas vezes porque não têm a possibilidade de continuar procurando o mesmo sacerdote, depois mudando o confessor parece-lhes que mudam também a espiritualidade; mas é necessária uma direção, além da do confessor, a direção exterior, de governo, de um caderninho de endereço, de direção, o qual estabelece um caminho reto que leva a Deus e que as pessoas podem seguir constante e utilmente, em paz consigo mesmas, com a sua consciência e com Deus.
Estes Institutos têm como característica o apostolado, que os membros desenvolvem e é chamado perfeito; ao passo que o nosso é chamado imperfeito porque não chega a toda parte. O sal dissolvido na água da panela atinge todas as gotas daquela água e a torna saborosa. A finalidade dos Institutos seculares é justamente esta: poder entrar em toda parte.
Estas pessoas têm a vantagem de, estando no mundo, serem como o sal. O sal é colocado, suponhamos, na sopa, mas o sal se liquefaz e salga, isto é, tempera as mínimas partes da água, do alimento que se está preparando.
Assim, estas pessoas, estando em contato com o mundo, assumindo o bem a fazer, o que necessita de maior urgência, podendo chegar a certas iniciativas e certos contatos aos quais não pode chegar nem a irmã nem o padre, exerce a função do sal, a função do fermento, o qual, dissolvido em uma quantidade de água e posto dentro da massa, fermenta todas as partes da massa da farinha; e acabam por santificar um ambiente, ou então, por santificar uma escola, por exemplo, se são professoras; uma fábrica, se são, por exemplo, chefes de repartição; ou então, agem na sua posição de autoridade, suponhamos, na universidade, ou nas mais variadas obras sociais.
Vejam como os inimigos da Igreja se infiltram em tudo: nas escolas, nas empresas, nas fábricas e nas várias associações a começar pelas agrícolas até às comerciais, às entidades que se referem ao ensino, ao progresso, suponhamos, da medicina; que se referem, talvez, também a partidos diferentes, os partidos políticos etc.; insinuam-se para semear as suas ideias e aos poucos conseguem ganhar uma pessoa após a outra.
E os católicos?
Oh, este apostolado como pode ser feito? Pode ser feito, em primeiro lugar, se a pessoa tem zelo e amor por Deus e amor pelas almas. Esta é a condição.
Porque se não temos sequer amor para com a nossa alma, certamente não teremos pelas almas dos outros. Se não temos uma alma voltada para a santidade, certamente não queremos encaminhar os outros para a santidade. Mas se dentro de nós há verdadeiro amor de Deus, verdadeiro amor às almas, amor, o amor que Jesus Cristo tem, porque o amor de Jesus Cristo era duplo: ao Pai, buscava a glória de Deus; e às almas: “Nada poupei em favor deles” (cf. Rm 8,32)… Eis, Jesus Cristo nada poupou em favor das almas. Então se temos um coração conforme ao de Jesus Cristo, à Hóstia Santa, ah, teremos também zelo, sentiremos, sim.
E há muitas pessoas que são conduzidas pelo Espírito Santo, são iluminadas por sua luz e são beneficiadas com os dons, então, é outro modo de pensar. Estas pessoas colocadas no mundo e estando mais expostas ao combate, a maiores dificuldades, com muita frequência mantêm uma intensa vida interior. Pensam que no mundo há um campo imenso e que o Dono da messe convida todos à colheita. Vive-se uma vida diferente, não mesquinha.
Estas pessoas que devem viver no mundo e, entretanto, querem pertencer totalmente a Deus. Talvez, pessoas que não puderam seguir a vocação religiosa quando eram jovens.
Não temos por acaso na Igreja tantos exemplos destas pessoas? Elas nos vários serviços, ou então, na sua dedicação ao Senhor, ou então, ao consagrar os seus bens, as suas forças à Igreja, não obtiveram para a mesma Igreja muitos frutos, muitas vantagens? E não se santificaram? Jesus Cristo conduziu as almas à santidade conforme o grau das graças que tinham e a Igreja tem o mesmo espírito: conduzir cada pessoa conforme os desígnios de Deus ao grau de glória que estava na intenção de Deus quando foram criadas.
O Senhor quis todos eles. Emprestemos-lhe a mão, a boca e as forças a fim de que se realizem estes inflamados desejos de Jesus, se realizem estes inflamados desejos. Oh, dilatem o coração. São Paulo dizia: o meu coração está dilatado e abarca a todos, todos vocês estão em meu coração (cf. 2Cor 6,11-12).
Todas as almas podem estar no nosso coração, ou seja, em nossa oração, em nossos desejos e podemos, de manhã, levá-los todos, na Santa Comunhão, a Jesus, os que já amam o Senhor e os que estão longe do Senhor. E ter compaixão dos pobres pecadores e dos que se obstinam no mal e que se encontram no caminho da perdição, sim. A nossa caridade deve estender-se a todos conforme o próprio coração de Jesus.
É necessário que o desejo da salvação das almas tome posse de todos. Há pessoas que se perdem em mil ninharias e em sutilezas ou lamúrias ou então perdem tempo chorando as desgraças atuais, mas não dão sequer uma mão para eliminá-las. É necessário que o desejo, a sede das almas se transformem em obsessão em cada um.
Oh, naturalmente a coisa é com certeza conforme os desejos da Igreja. No que se refere às formas de incorporação ou, podemos dizer, de consagração, no que se refere à missão, é necessária a vocação para ingressar nos Institutos seculares, isto é, o chamado de Deus, pois a Igreja as considera e estão de fato em um estado de perfeição evangélica, e a Igreja lhes deu uma organização própria.
A Família Paulina acrescentou os três institutos seculares. Os institutos seculares se compõem de: Anunciatinas, parte feminina; Gabrielinos, homens; e “Jesus Sacerdote”, os sacerdotes. Estes também são consagrados a Deus e fazem, a seu tempo, após o noviciado, os seus votos, a sua profissão.

Pe. Tiago Alberione
Este texto do Bem-aventurado Tiago Alberione foi livremente extraído de uma conferência que ele proferiu em 8 de março de 1958; de sua meditação de 18 de março de 1958; de uma instrução de 13 de abril de 1958; de outra meditação de 2 de agosto de 1960.

Conheça os INSTITUTOS PAULINOS DE VIDA SECULAR CONSAGRADA:
Instituto Nossa Senhora da Anunciação (para moças)
Instituto São Gabriel Arcanjo (para moços)
Instituto Santa Família (para casais)
Instituto Jesus Sacerdote (para sacerdotes e bispos diocesanos)
Para informações, dirigir-se a:
Delegado dos Institutos Paulinos – Via Raposo Tavares, km 18,5 – 05576-200 – São Paulo – SP
institutospaulinos@paulinos.org.br
Visite o nosso site: http://www.paulinos.org.br/novo/institutos

da Redação

Leia também

Ver todos
  • Anunciatinas em El Salvador

    Na terra do Bispo Mártir, dom Oscar Arnulfo Romero, as Anunciatinas desenvolvem o apostolado com marcado cunho no campo da pastoral social, além da...

  • Em El Salvador, Cristo continua a sofrer

    Ninguém, me parece, ocupou-se de escrever a história das Anunciatinas em El Salvador. No próprio mundo paulino, muitos ignoram a sua presença e atividade...

  • Instituto Santa Família e a consagração

    Movido pelo desejo de promover o bem espiritual e a santificação das famílias cristãs, Pe. Alberione fundou em 1963 o Instituto Santa Família, para...